Book Reviews

03 dezembro, 2007

166) O Brasil do futuro, num livro do presente

Book review:

A História do Futuro do Brasil (1140-2040)
Clovis Corrêa da Costa
Saraiva/Virgília, 280 págs., R$ 55
Por Luíza Mendes Furia, de São Paulo
Valor Econômico, 29/11/2007

"Temos o desafio de superar o grande atraso acumulado em relação aos países ocidentais a partir de 1820, quando o capitalismo industrial iniciou seu notável crescimento nos Estados Unidos e na Europa. A esse desafio se somaram, desde a década de 1960, a necessidade de lidar com a globalização econômica e cultural e com o declínio da influência das instituições tradicionais no comportamento de pessoas e grupos", escreve o economista Clovis Corrêa da Costa neste "A História do Futuro do Brasil (1140-2040)", indispensável para quem se preocupa com o desenvolvimento global do país.

Há 16 anos sócio principal da CC&A (consultoria em estratégia corporativa e gestão da estratégia), Costa analisa minuciosamente os motivos por que o Brasil não cumpriu o seu destino de potência até hoje. Para tanto, vai à raiz: o nascimento de Portugal em 1140, Estado onde durante séculos preponderou o autoritarismo, herdado pela sociedade brasileira, que ainda não se livrou totalmente dele.

Inaugurando o selo Virgília, parceria da Editora Saraiva com o editor Marcelo Melo, o livro é uma abrangente e esclarecedora aula de história e, ao fim, é possível entender os porquês de nossas dificuldades políticas, econômicas, sociais e culturais.

Então, depois de tudo muito bem explicado, Costa - autor de "A Empresa no Controle do Próprio Destino" e "O Verdadeiro Valor do Cliente" - aponta caminhos para que o Brasil dê certo, mas sem fazer exercícios de futurologia, lançando mão de elementos enraizados na cultura brasileira e de dados concretos, como se o país fosse uma grande empresa necessitada de "um diagnóstico e de um plano estratégico nacional que lhe permita competir no quadro da globalização", como escreve o também economista Luiz Carlos Bresser-Pereira na contracapa.

"O Brasil não definiu uma estratégia clara para lidar com os principais desafios da atualidade. Isso nos faz perder tempo e energia preciosos, mas, ao mesmo tempo, permite discutir caminhos, reconhecer erros e perdas, buscar novas abordagens", diz Costa. E por que o 2040 no título? A data "aparece simbolicamente como o ano-limite para esse estudo porque nele se completarão 900 anos de cultura portuguesa".

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