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23 novembro, 2007

158) A volta do idiota latino-americano

O idiota está de volta!

Autores do Manual do perfeito idiota latino-americano lançam novo livro em que criticam a volta do populismo de esquerda na América Latina

A volta do idiota
Álvaro Vargas Llosa, Plinio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montaner.
Odisséia Editorial, R$ 34,90
ISBN:978-85-86368-27-1

Ao longo de todo o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes e das ilusórias utopias da esquerda. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores. O venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales são os expoentes dessa nova esquerda "carnívora", ainda presa à mentalidade da Guerra Fria. Outra esquerda, "vegetariana", que governa no Chile e no Brasil, tenta evitar os erros do passado. Mas o fato é que o Idiota latino-americano está de volta.

É o que afirmam Álvaro Vargas Llosa, Plinio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montaner em A volta do idiota, um lançamento da Odisséia Editorial. São os mesmos autores do polêmico best-seller Manual do perfeito idiota latino-americano, lançado em 1996. O livro criticava os líderes políticos e formadores de opinião que, apesar de todas as provas em contrário, se apegavam a mitos políticos ultrapassados. A espécie dos "idiotas", diziam então, era responsável pelo subdesenvolvimento da América Latina.Tais crenças - revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente da justiça social, paixão pelo regime do homem forte em lugar da lei - tinham origem, na opinião dos autores, num complexo de inferioridade.

A esquerda "carnívora" e a esquerda "vegetariana"
As idéias nacionalistas e populistas ressurgiram com força na América Latina. É o que denuncia A volta do idiota , ao analisar os regimes de Hugo Chávez, Evo Morales e Néstor Kirchner, representantes da "esquerda carnívora". Mas o livro aponta também os equívocos cometidos e os riscos representados pela "esquerda vegetariana" que assumiu o poder no Brasil, no Uruguai e no Peru, muitas vezes com o apoio de intelectuais e políticos europeus e mesmo norte-americanos. Em contrapartida, os autores apresentam experiências bem-sucedidas de países que optaram por estratégias liberais de crescimento, como o Chile.

A leitura deste livro é uma vacina contra a idiotice!
Como reconhecer um idiota?

Os Idiotas latino-americanos, tradicionalmente, se identificam com os caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Por outro lado, a visão de mundo do Idiota, vez por outra, encontra eco entre intelectuais ilustres na Europa e nos Estados Unidos. São pontificadores, que aliviam o peso na consciência apoiando causas exóticas em países em desenvolvimento. Suas opiniões atraem fãs entre os jovens do Primeiro Mundo, para os quais a fobia da globalização oferece a perfeita oportunidade de encontrar satisfação espiritual na lamentação populista do Idiota latino-americano contra o perverso Ocidente.

Os autores de A volta do idiota demonstram que esses observadores estrangeiros estão deixando de compreender um ponto essencial: o populismo latino-americano nada tem a ver com justiça social. Populistas têm características básicas comuns: o voluntarismo do caudilho como um substituto da lei, a denúncia do imperialismo (com o inimigo geralmente focado nos Estados Unidos), a projeção da luta de classes entre os ricos e os pobres para o terreno das relações internacionais, a idolatria do Estado como uma força redentora dos pobres, o autoritarismo sob a aparência de segurança e o clientelismo, uma forma de paternalismo pela qual os empregos públicos - em oposição à geração de riqueza - são os canais de mobilidade social e uma forma de manter o voto cativo nas eleições. O legado dessas políticas é claro: quase metade da população da América Latina é pobre, com mais de um em cada cinco vivendo com 2 dólares ou menos por dia. E entre 1 milhão e 2 milhões de migrantes procurando os Estados Unidos e a Europa a cada ano, em busca de uma vida melhor.

Os autores
Plinio Apuleyo Mendoza (Colômbia, 1932) é escritor e jornalista. Após estudar Ciência Política em Paris, voltou à Colômbia em 1959, onde se tornou diretor da agência de notícias Prensa Latina. Foi também embaixador de seu país na Itália e em Portugal. Entre seus livros, destacam-se El desertor, Años de fuga, El olor de la guayaba (conversas com Gabriel García Márquez), La llama y el hielo e El desafío neoliberal.

Carlos Alberto Montaner (Cuba, 1943) é romancista, ensaísta e jornalista. Foi professor em universidades da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina e assinou colunas em jornais como ABC, Miami Herald, The Wall Street Journal e El Iberoamericano. É autor dos livros La agonía de América, Fidel Castro y la revolución cubana, Libertad: la clave de la prosperidad e, com os demais autores deste livro, Fabricantes de miseria . Foi vice-presidente da Internacional liberal.

Álvaro Vargas Llosa (Peru, 1966) estudou na London School of Economics e exerceu o jornalismo na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina. É autor de El diablo en campaña, La contenta barbarie, El exilio indomable, La mestiza de Pizarro e Rumbo a la libertad. Atualmente dirige o Centro para a Prosperidade Global, no Independent Institute e assina uma coluna no jornal The Washington Post . Foi nomeado "Jovem Líder Global 2007" pelo Forum Econômico Mundial.

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