Book Reviews

24 fevereiro, 2006

10) Florestan, um prolixo mestre da sociologia brasileira

Esta nota, abaixo transcrita, sobre o opus magnum do grande sociólogo paulista Florestan Fernandes é apresentada como a "resposta intelectual ao regime de 1964".
Se isso for verdade, essa resposta foi, então, ...inócua.
O regime militar reinou absoluto na economia e na política, e deixou, impavidamente, a universidade entregue à oposição de esquerda. Nunca se estudou tanto marxismo no Brasil como sob o regime de 1964. Tanto isso é verdade que este que vos escreve formou-se, por assim dizer, no marxismo graças aos ensinamentos da chamada escola paulista de sociologia, capitaneada intelectualmente por ninguém menos que Florestan Fernandes.
Todo esse domínio intelectual nao abalou o regime militar, que veio abaixo, muito depois, por força da crise econômica, mais até do que por uma suposta "conspiração das elites" (sim, os intelectuais de esquerda sempre constituiram uma elite).
Minha tese de doutoramento foi justamente dedicada à obra de Florestan, mas se o projeto era indiscutivelmente "florestânico", quando a tese ficou pronta, alguns anos depois, ela era mais bem "anti-florestânica".
Incrível, como ainda hoje, os intelectuais reverenciam vacas sagradas e perdem o espírito crítico que se supõe deveria guiar suas análises.
Em post ulterior vou tratar de minhas principais objeções à obra de FF e a esta obra em particular...
PRA (24.02.06)


Obras reunidas de Florestan Fernandes começam com "A Revolução Burguesa"
Jornal Valor Econômico, 24 de fevereiro de 2006, caderno EU& fim de semana

Resposta intelectual ao regime de 1964
Por Federico Mengozzi

O livro inaugura, juntamente com "Pensamento e Ação" (Globo, 264 págs. R$ 35), a coleção das obras reunidas de um dos maiores nomes da sociologia brasileira, o paulistano Florestan Fernandes (1920-1995). "A Revolução Burguesa" começou a ser escrito em 1966, para "dar uma resposta intelectual à situação política que se criara com o regime instaurado em 31 de março de 1964". Por problemas de ordem conceitual, Fernandes interrompeu a obra e só a concluiu bem mais tarde, em 1974. Ele não quis fazer sociologia acadêmica, mas resumir, de forma mais simples possível, as principais linhas da evolução do capitalismo e da sociedade de classes no Brasil. Segundo Maria Arminda do Nascimento Arruda, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, é "obra essencial para elucidar o percurso de Florestan Fernandes".

O livro parte da Independência, quando se constituiu a nação, e chega aos desdobramentos, então recentes, do golpe militar de 1964, "período de enraizamento final dos valores burgueses", diz Maria Arminda. "Pensamento e Ação" se vincula a outro momento histórico e tem o Partido dos Trabalhadores, pelo qual o sociólogo foi eleito duas vezes deputado federal por São Paulo, então visto como uma força renovadora, como foco. São artigos publicados em jornais ("Folha de S.Paulo" e "Jornal do Brasil"), entrevistas, discursos, boletins de campanha etc. Para Vladimir Sacchetta, um conjunto de textos que "surpreende por sua atualidade".

"A Revolução Burguesa" - Florestan Fernandes Globo, 512 págs. R$ 55

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